Camelô de Estratégias

InformAção – A Camelô de Estratégias

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“…Por outra parte, não existem senão homens concretos (“não existe homem no vazio”). Cada homem está situado no espaço e no tempo, no sentido em que vive numa época precisa, num lugar preciso, num contexto social e cultural preciso. O homem é um ser de raízes espaço-temporais… 2. O homem chega a ser sujeito por uma reflexão sobre sua situação, sobre seu ambiente concreto. Quanto mais refletir sobre a realidade, sobre sua situação concreta, mais emerge, plenamente consciente, comprometido, pronto a intervir na realidade para mudá-la. Uma educação que procura desenvolver a tomada de consciência e a atitude crítica, graças à qual o homem escolhe e decide, liberta-o em lugar de submetê-lo, de domesticá-lo, de adaptá-lo, como faz com muita freqüência a educação em vigor num grande número de países do mundo, educação que tende a ajustar o indivíduo à sociedade, em lugar de promove-lo em sua própria linha.”

Freire, Paulo. Educação e mudança. Pg 19

 

“InformAção – a camelô de estratégias” é uma intervenção urbana que tem como desejo promover diálogos que culminem na construção de conhecimento, a partir da troca de informações e de um processo de conscientização dos participantes e dos ambientes onde estão inseridos. 

 

Vestindo um guardasol de cabeça azul, um crachá com os dizeres “InformAção – a camelô de estratégias” e carregando uma bandeja vermelha pendurada ao pescoço, cheia de imagens, o camelô caminha em busca de diálogo, perguntando: “A senhora/senhor gostaria de trocar um dedinho de prosa comigo?”

 

Assim se dá o primeiro contato. “Não quero vender ou comprar nada, tão pouco estou fazendo pesquisa, sou uma cartógrafa”. O que se quer é a prosa, o diálogo, a conversa, a troca. Troca de experiências, de afeto, de conhecimento, de realizações, de sonhos e de desejos. Formas de atuar em busca da transformação do mundo a partir de histórias e anseios.

 

“A prática de um cartógrafo diz respeito, fundamentalmente, às estratégias das formações do desejo no campo social. E pouco importa que setores da vida social ele toma como objeto. O que importa é que ele esteja atento às estratégias do desejo em qualquer fenômeno da existência humana que se propõe perscrutar: desde os movimentos sociais, formalizados ou não, as mutações da sensibilidade coletiva, a violência, a deliqüência… Até os fantasmas inconscientes e os quadros clínicos de indivíduos, grupos e massas, institucionalizados ou não.”

Suely Rolnik: Cartografia Sentimental, Transformações contemporâneas do desejo, Editora Estação Liberdade, São Paulo, 1989.

 

Somos constantemente bombardeados por imagens. Televisão, revista, jornal, publicidade. As imagens tem o poder de produzir – no imaginário social – realidades políticas, simbólicas, ideológicas e econômicas. A relação mídia-imagem-poder produz sentidos, discursos e consensos nos observadores desatentos.

 

Para desenvolver um diálogo imagético do mundo a artista-camelô lança mão de uma estratégia de comunicação visual. Assim se apresenta, mostra de onde vem e o mundo que conhece. “Com as imagens eu vou me comunicando, e vou trazendo fatos específicos a cada momento da conversa, são conteúdos e opiniões disparadoras de reflexão”. Assim, os assuntos abordados são conectados à dados e fatos cotidianos, criando afetivamente pequenos instantes de pensamento crítico sobre a realidade, buscando potencializar nas experiências pessoais a potência de cada participante.

 

“Porque o que chamamos de potência se relaciona com as vivências humanas, com as relações que homens e mulheres em movimento estabelecem entre si e com os demais. Relações que individual e coletivamente se compõem a partir da dor.(…) É neste sentido que podemos afirmar, agora sim, que a potência é capaz de transformar as pessoas, de transformar a todos e a cada um de nós. Mas só é possível na medida em que participemos dessas relações em movimento, não tanto nos movimentos enquanto instituições”.

Zibechi, Raul. Dispersar el Poder, Tinta Limón, Buenos Aires, 2006.

 

As imagens são parte do ambiente alfabetizador da artista, compõem uma seleção de fatos poéticos e de construção ou destruição de mundos.  Grande parte delas são de ações urbanas de coletivos de arte que constituem o seu alfabeto de intervenção. Somadas a elas estão imagens de outros movimentos sociais como indígena, quilombola e de outras culturas tradicionais. Também imagens da natureza, de construções do homem e de ambientes de conflito. Imagens que contam como as pessoas tem se organizado, manifestado seus desejos e construido realidades. “Este é o meu ambiente, que vou levando dentro a fora de outros”.

 

Luciana Costa 2009

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