“Cultura são espaços em que acontecem coisas”, dizia no debate, a professora Tereza Negrão, da Universidade de Brasília. “Espaços em que acontecemos nos oferecem a dimensão de cultura, ou território; sendo bastante diversificada, nossa cultura popular foi descrita por Mario de Andrade como um colorido arlequial. É como se fosse uma teia de muitos sentidos”.”
fragmento de texto de Adriano Nogueira na revista Cultura Viva ano1 nº1
“Honestino Monteiro Guimarães (Itaberaí, 28 de março de 1947 — desaparecido em 10 de outubro de 1973) foi um estudantebrasileiro.
Em 1960, ele e a família mudaram-se para Brasília e logo começou a militar no movimento estudantil. Foi presidente da Federação dos Estudantes da Universidade de Brasília (FEUB) e duas vezes da União Nacional dos Estudantes (UNE), uma delas quando estava clandestino.
Casou-se por procuração com Isaura Botelho, mãe de sua única filha, Juliana Botelho Guimarães.
Durante a invasão sofrida pela UnB em agosto de 1968, Honestino foi preso e permaneceu dois meses em poder do Exército, sendo expulso da universidade.
Com o Ato Institucional nº 5 (AI-5), passou à clandestinidade mas continuou coordenando encontros estudantis e lutando contra o regime militar até ser preso no Rio de Janeiro. Na época, tinha 26 anos. Depois da prisão, a família continuou a procurá-lo, em vão, em várias prisões pelo Brasil.
Somente no dia 12 de março de 1996 teve seu óbito oficialmente reconhecido, sendo laureado pela UnB no ano seguinte com o Mérito Universitário.”
Faleceu aos 89 anos de idade, nesta terça-feira, o radialista e precursor da Radionovelano País, Waldemar Ciglioni. Ciglioni completou recentemente 70 anos de carreira. O velório já está acontecendo no Cemitério da Paz, na rua Luiz Migliano, 644, Portal do Morumbi, Zona Sul da cidade de SP. O enterro acontece no mesmo local, às dez da manhã desta quarta-feira.
WALDEMAR CIGLIONI (1918-2008)
O homem-verbete da radionovela
ESTÊVÃO BERTONI
DA REPORTAGEM LOCAL
Na década de 1950, o nome do “pai” da radiodifusão
brasileira virou premiação: por anos, o troféu Roquette Pinto
foi entregue aos profissionais de maior destaque do rádio e
da TV. Não contente em ganhar um, Waldemar Ciglioni
levou sete para casa.
“Hoje não se usa mais consultar enciclopédia, mas o nome
do meu pai é um verbete da radionovela no Brasil”, conta o
filho Walter.
Waldemar foi um colecionador de troféus e de histórias: de
goleiro do São Paulo nos anos 30 a militante estudantil
preso pelo governo de Getúlio Vargas, conheceu
personalidades que vão do papa a Walt Disney.
Chegou a cursar direito na USP, mas enveredou pela
comunicação. O primeiro passo foi aos 17, na rádio
Piratininga. Com o desenrolar da carreira, fez tanto sucesso
que foi convidado a dirigir a rádio São Paulo -ficou no cargo
por quase 30 anos.
Lá, atuou em “Fatalidade”, um dos maiores sucessos da
radionovela no país. O ofício de radioator lhe trouxe tanta
fama que, quando saía à rua, tinha que dar autógrafos.
Na rádio Mulher, comandou o programa “Cartas de Amor”.
Começava sempre com a frase: “Meu inesquecível amor…”.
“As mulheres deliravam quando ele declamava”, conta o
filho. Atualmente, era diretor-superintendente da rádio
Mundial.
Waldemar morreu anteontem, em São Paulo, pouco antes de
completar 90 anos. Deixou cinco filhos (ou seriam 8?),